“Todo mundo gosta de acarajé
O trabalho que dá pra fazer que é
Todo mundo gosta de acarajé
Todo mundo gosta de abará
Ninguém quer saber o trabalho que dá”
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Um clássico da música popular brasileira, a canção “A preta do acarajé”, do compositor baiano Dorival Caymmi, retrata a feitura e o comércio dessa iguaria trazida da África e que se transformou num dos símbolos mais conhecidos da baianidade.

Tão importante que o ofício da baiana de acarajé está registrado desde 2005 no Livro dos Saberes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, e é reconhecido como Patrimônio Imaterial do Brasil.

Em sua origem, o saboroso bolinho de feijão-fradinho, cebola e sal, frito no azeite de dendê, é comida de santo, oferenda para Iansã e Xangô nos terreiros de candomblé.
Mas acabou se transformando em comida de rua, vendida em tabuleiros, com acompanhamentos como a pimenta, o camarão, o caruru, o vatapá e, mais recentemente, a salada de cebola e tomate.

Somente agora, porém, a baiana do acarajé será incluída na lista de Classificação Brasileira de Ocupações, o documento que reconhece e descreve as características das profissões do mercado de trabalho brasileiro.

O estudo técnico para viabilizar essa inclusão já foi iniciado pela Superintendência Regional do Ministério do Trabalho e deverá ser concluído até o final deste mês.
Com isso, o ofício de baiana de acarajé, que desde os tempos coloniais é meio de vida para muitas mulheres e sustento de tantas famílias, passará a ser reconhecido oficialmente como uma profissão.

Esse reconhecimento da profissão beneficiará, somente em Salvador, cerca de 3.500 baianas, segundo estimativa da Associação das Baianas de Acarajé, Mingau e Receptivo da Bahia.
Nossos parabéns às baianas de acarajé, mulheres que desde os tempos coloniais encontraram nesse ofício um caminho para a autonomia financeira necessária para que pudessem assumir plenamente o papel de provedoras de suas famílias.

E que com suas comidas, sua rica indumentária, seus tabuleiros e muita simpatia, se transformaram em monumentos vivos da cultura baiana.

 

Carlos Geilson, deputado estadual e radialista